O dedo de Deus

22/04/2011

“Only love can leave such a mark (…)
only love can heal such a scar”

U2 in Magnificent

Vivemos numa sociedade que tem medo do silêncio, só se sente bem no meio do ruído.

Em casa ligamos sempre o rádio ou a televisão – aos quais por vezes nem damos atenção! No carro temos o auto-rádio e na rua ou nos transportes públicos andamos ao som de MP3.

Porque assusta ou incomoda o silêncio?

É no silêncio que nos encontramos connosco! Seremos assim tão assustadores? Ou incómodos? Cada um sabe de si! (Será que sabe?)

É também no silêncio que Deus mete a sua mão no nosso peito e nos chega ao coração.

Umas vezes faz-nos cócegas. Outras afaga-nos e conforta-nos.

É bom! É muito bom!

Mas há dias em que Ele põe o Seu dedo na ferida!

Naquela Ferida! Na mais íntima!

E então dói. Dói muito!

É isso que assusta!

É de Deus que fugimos quando fugimos do silêncio.

Como somos tolos! Como é pouca a nossa fé!

Pois quando a dor passa…

A ferida melhora…

Aquela Ferida sara!

Deus não é um sádico, é a Cura!

Vem Senhor, tocar o meu coração!

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Quando a Adúltera é a Mensageira…

31/03/2011

…isso é Jesus a derrubar os nossos preconceitos reais!

Ele escolheu a Samaritana. Uma Maldita!

Os sinais estão lá todos. Ela vai à água sozinha e na pior hora do dia – ao meio dia, com o sol a pique!

É doida esta mulher?

Não! É apenas marginalizada. E é isso que a impede de ir ao poço de manhã, pela fresca, na companhia das outras mulheres. Ela não quer ter mais chatices!

A causa dessa maldição: adultério!

A Samaritana e Jesus

A Samaritana e Jesus

“Declarou-lhe Jesus: – Disseste bem: ‘não tenho marido’, pois tiveste cinco e o que tens agora não é teu marido. Nisto falaste verdade” (Jo 4, 17b-18).

Se fosse hoje, ela seria a última pessoa que escolheríamos para companheira de Missão ou para catequizar os nossos filhos! Não quereríamos ter chatices!

Mas Jesus vê com outros olhos; tem outros critérios e fez dela a sua Mensageira na povoação de Sicar da Samamaria.

Mas o que nos enche mais de inveja é que aquela gaja foi bem sucedida! Ela conseguiu ganhar para Jesus aquela população:

“Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram n’Ele devido às palavras da mulher(…)” (Jo 4, 39).

E andamos nós Catequistas com a mania de termos de ser “meninos de coro” e de decoro para no fim da Catequese termos perdido 25 das 30 crianças que nos foram confiadas! – E estou a ser generoso!

Onde estamos a falhar?

Ao contrário da Samaritana nós temos medo de deixar o nosso cântaro de barro e sair a anunciar!

É que o nosso cântaro é muito importante e pode partir!


Jesus: o Homem e o medo

09/10/2010

Era tempo de festa em Jerusalém. Os seus familiares de Jesus insistiam para que fosse, mas ele já sabia que o queriam matar. Deixou-se ficar em casa, na Galileia, com medo…

O Capítulo 7 do Evangelho de S. João, começa com uma das reacções mais humanas de Jesus: o medo! Neste excerto o Homem-Jesus sobrepõe-se ao Deus-Jesus!

Mas Jesus foi à festa mais tarde, sozinho e (no início) muito discretamente.

Ao ver a multidão não resistiu e começou a pregar no mais nobre dos locais – o Templo de Jerusalém! Uma atitude temerária.

A sua pregação motivou reacções contraditórias nos seus ouvintes – como sempre Jesus é desconcertante! – E por duas vezes “Procuravam, então, prendê-lo, mas ninguém lhe deitou a mão” (Jo 7, 30 e Jo 7, 45).

Quantas vezes nos sentimos amedrontados porque temos de falar em nome de Deus ou de dar testemunho da nossa Fé. Medo de sermos apontados ou ridicularizados; medo de falhar, de não saber o que dizer ou como dizer…

Neste texto Jesus é um exemplo para todos nós. Teve medo mas superou-se a si mesmo e foi cumprir a sua Missão. E fê-lo duma maneira corajosa e no Templo, o mais arriscado dos locais. Foi de tal modo convincente que assombrou até os guardas do Templo (Jo 7, 46), enviados pelos Sacerdotes e Fariseus para o prender (Jo 7, 32)!

Sempre que a dúvida nos assaltar lembremo-nos do Mestre e da sua coragem. Evangelho de S. João, capítulo 7.

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A farsa da Certificação Energética

19/09/2010

Aquando da venda do meu apartamento fiz a certificação energética do mesmo, cumprindo a lei.

Alguns meses depois fui ao sítio da ADENE – Agência para a Energia e fiz uma pesquisa de Edifícios Certificados no Largo da Venda Nova. Aparece a “minha” fracção e mais duas, todas na mesma entrada.

Ao consultar os respectivos certificados reparo que duas fracções têm classificação “C” e uma “E”.

Eu conheço bem o edifício – vivi lá 13 anos – e melhor ainda a entrada e não vejo qualquer razão para essa diferença. Ainda por cima duas fracções são do último andar e a que obteve a melhor classificação até é a que está mais desprotegida pois fica no topo do edifício e tem mais uma parede nua.

Estes resultados levantam questões:

  1. Será a avalição energética tão subjectiva que os peritos – engenheiros – classificam como querem? A Engenharia “era” uma ciência exacta!
  2. Serão esses peritos igualmente competentes ou algum deles tirou o curso naquela universidade que funciona ao Domingo?
  3. Terão sido “influenciados” pela conveniência dos proprietários?

Quem souber que atire a primeira pedra!

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Duas reflexões

09/05/2010

No seu artigo de opinião A viagem do Papa no jornal Público de 8 de Maio, Vasco Pulido Valente, para além de tratar do assunto com sobriedade, apesar de ateu, deixou duas ideias que me chamaram à atenção.

A primeira:

Tanto mais que nos tempos que vão correndo não deve ser muito fácil, nem para a Igreja, determinar com certeza o que é um católico.

Os Católicos não se distinguem dos demais por qualquer sinal, costume ou veste, nem por usarem simbolicamente a cruz (parece que até é moda usar crucifixos). E ir à Missa já não tem a importância de outros tempos.

Os Católicos deveriam distinguir-se por serem “Homens de Boa Vontade”.

Infelizmente nem todos os Católicos o são e felizmente há muitos não Católicos que o são.

Esta reflexão vem ao encontro de algo que defendo há já alguns anos: Preferia que fossemos menos Católicos mas mais Cristãos! A qualidade deveria preceder a quantidade!

A segunda: Vasco Pulido Valente termina o artigo com as seguintes frases:

A democracia tolera o mundo inteiro. Só não tolera a Igreja Católica e, em especial, Bento XVI, provavelmente porque nunca o leu. Ou talvez porque o leu.

Certos “democratas” investem com tudo o que têm e podem contra os seus pares. Porém, quando se trata de contrariar “forças poderosas” – como os atropelos aos direitos humanos na China ou a intolerância religiosa de alguns radicais islâmicos – ficam calados.

O âmago da questão não são a tolerância ou a democracia mas a cobardia desses fanfarrões “pseudo-democratas”.

Quanto a Bento XVI, no seu suposto “silêncio” tem vindo a desarmar alguns inimigos da nossa Fé. E é mais certo ser menos tolerado pelos que leram os seus escritos do que pelos que não o fizeram!

Força Bento, nós estamos contigo!

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